O jornalista Ricardo Eugênio Boechat morreu, nesta segunda (11), em um acidente de helicóptero em São Paulo. Natural de Buenos Aires, na Argentina, e filho de um diplomata brasileiro Boechat nasceu em 13 de julho de 1952.  Trabalhou em importantes veículos de comunicação do país, conquistou diversos prêmios e foi autor de um livro sobre a história do hotel Copacabana Palace.

Estudou jornalismo e iniciou a carreira em 1970 como repórter, no extinto, Diário de Notícias. Na mesma época, começou a escrever para a coluna social do Ibrahim Sued. Em 1983, passou a trabalhar no jornal o O Globo. Em 1987, ocupou por seis meses o cargo de secretário de Comunicação Social, no governo de Moreira Franco, até voltar para o jornal O Globo, onde ficou por trinta anos.

Boechat era bastante crítico e polêmico, o que gerou diversas vezes, ao longo da sua carreira, ataques a sua reputação. Boechat também foi o primeiro a acusar a fragilidade do Painel Eletrônico do Senado Federal, o que resultou num outro grande escândalo. Ele disse que vários senadores sabiam antecipadamente o resultado do painel e disse que tinha a lista com o resultado da votação.

 

Polêmicas

Em 2001, na época em que houve guerra pelo controle das companhias telefônicas, o jornalista recebeu ataques através da revista Veja, que relatou que ele revelava ao também jornalista Paulo Marinho, as matérias que seriam publicadas no jornal, sobre o assunto. Paulo Marinho tinha relacionamento com Nelson Tamure, principal acionista da TIM, que estava disputando o controle da Telemig Celular e da Tele Norte Celular. O escândalo revelou telefonemas grampeados, notícias plantadas, etc. A repercussão fez com que o jornalista fosse despedido. Após a demissão, Boechat assumiu a “Coluna Boechat”, no Jornal do Brasil.

Em 2015,  se protagonizou uma discussão com o pastor Silas Malafaia. O jornalista comentou no seu programa na rádio BandNews FM sobre a intolerância religiosa e deixou claro que a crítica era dirigida a pastores e  algumas igrejas neopentecostais. Malafaia não gostou e através do Twitter disse que o jornalista estava falando asneira e também o chamou de idiota. Boechat ainda respondeu à acusação ao vivo na rádio.

 

Carreira

Na televisão, o jornalista atuou no SBT, no Rio de Janeiro. Em 2006, passou a trabalhar no Grupo Bandeirantes e desde lá comandava a bancada do “Jornal da Band”. Atualmente, era diretor de jornalismo da TV Bandeirantes. Também era âncora do jornal diário da manhã na Rádio Bandnews FM e tinha uma coluna semanal para a revista Isto É.

É autor do livro “Copacabana Palace – Um Hotel e Sua História” (DBA, 1998), que resgatou a trajetória do hotel mais exclusivo e sofisticado do país. Em sua última coluna na revista “IstoÉ”, que levou o título “Acabou a Folia”, ele falou, entre outros assuntos, de corrupção, da dança das cadeiras com a troca de poder no Senado e da tragédia de Brumadinho.

 

Prêmios

Ganhou de três prêmios Esso, um dos prêmios de jornalismo mais importantes do Brasil. Boechat também é o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se – e o único a ganhar em três categorias diferentes (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV).

 

Família

Ele deixa a esposa, Veruska Seibel e duas filhas, deste casamento, Valentina, 12, e Catarina, 10. Do primeiro casamento com Claudia Costa de Andrade, deixa outros quatro filhos Bia, 40, Rafael, 38, Paula, 36, e Patricia, 29.

 

Foto: Divulgação Band

 

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