A votação da Reforma da Previdência só foi retomada as 14h desta sexta, após muita dificuldade em conseguir quórum. Antes disto as bancadas dos partidos na Câmara estiveram reunidas durante longas horas para decidir se continuariam votando os destaques ou se iriam liberar seus deputados. Ontem foram aprovados destaques que alteram as regras de transição para policiais, permitem um cálculo mais benéfico para mulheres e redução do tempo de contribuição menor para homens na aposentadoria por idade, de 20 para 15 anos.

Conversei com alguns deputados que disseram que havia total indefinição e que todas as possibilidades estavam em aberto. Uma delas é a possibilidade de levarem as votações dos sete destaques que faltam até sábado e que a votação em segundo turno da Reforma da Previdência só aconteça em 6 de agosto, no retorno do recesso que começa dia 18 de julho. Neste caso a correria será para que o Senado aprove, por sua vez, ainda na primeira quinzena de agosto, impedindo um atraso ainda maior nas agendas reformistas da equipe econômica do governo. O recesso branco também seria uma possibilidade e os partidos deixariam para votar a LDO apenas em agosto.

A impressão que temos é que parte dos 379 votos que foram dados ao texto base da reforma da Previdência foi apenas para depois poderem desfigurá-lo via destaques. Parte dos deputados aprovaram por que sabiam que depois o texto seria alterado. Desde que o Presidente Bolsonaro acenou sua simpatia a uma previdência diferenciada para os policiais (cujo destaque foi aprovado), foi uma sinalização para outras categorias. A porteira foi aberta e onde passa boi, passa boiada. Reforma igual pra todos é igual pra todos. No momento em que se aprovam destaques para determinadas categorias está se cometendo injustiça em relação à todas as outras. Aprovar privilégio ou tratamento diferente para uma categoria legitima todas as outras a pressionarem os deputados que antes podiam se proteger atrás da máxima : A Reforma é Para Todos.

Mesmo com todo este quadro de indefinições parte do governo continua afirmando que a Reforma da Previdência, mesmo com os destaques que foram aprovados, ficará acima dos 900 Bilhões.Deputados gaúchos esperam que para minimizar o impacto dos destaques aprovados os Estados e Municípios precisam ser reinseridos pelo Senado na reforma.

Foto Marcelo Camargo / Agência Brasil