Ninguém pode negar que a jovem Tabata Amaral tem uma formação acima da média. De origem humilde, ela subiu na vida através de sua perseverança nos estudos. Acabou em Harvard, onde se graduou duas vezes: em ciência política e astrofísica. Foi adotada por alguns barões do mercado e ganhou prestígio na mídia politicamente correta ao falar sobre desenvolvimento social e educação. Nada mais encantador que o sotaque de esquerda polido pela interlocução com bilionários. A moça soube usar a tribuna que recebeu. Não demorou para trocar a vida acadêmica pelos palanques políticos. Entrou no PDT e, na eleição de 2018, se sagrou uma das deputadas federais mais votadas de São Paulo, obtendo mais de 260 mil votos.

Tabata tem sido saudada como uma das novidades da política brasileira. E por isso não deixa de ser curioso que ela tenha amarrado seu burro no PDT, um dos partidos mais antiquados do país. O que ela esperava? Oxigenar a legenda criada por Leonel Brizola e comandada por gente como Carlos Lupi e Ciro Gomes? Doce ilusão.

A votação da Reforma da Previdência provou que o PDT continua sendo um museu ideológico. Ali não há espaço para ideias arejadas. Tabata terá de lidar com a perseguição interna por ter ousado não seguir a diretriz de se posicionar contra o projeto. Foi ameaçada de expulsão pela cúpula partidária. Nas redes sociais, postou um vídeo se justificando. Ainda assim, está sendo acusada de traição. Os militantes de esquerda agora lhe dedicam o tratamento que é dado às mulheres que não obedecem o padrão de comportamento político que eles consideram adequado.

O episódio apenas evidencia a incapacidade dos partidos de oposição de renovarem seu discurso. Não há espaço para uma Patricinha no brizolismo.

Foto: Agência Câmara