Vem do tempo do Império, quando os partidos Conservador e Liberal alternavam-se nos ministérios de Dom Pedro II. Ideologicamente, pareciam ser diferentes, mas eram iguais quanto à disposição de servir ao poder imperial e dele também se servir. Dom Pedro II, com astúcia, sabia fazer o jogo. Mudava-os de posição conforme as conveniências que emergiam de eleições, das quais só as elites participavam. No fundo, queria que tudo continuasse como estava.

Sem complicar

A reforma partidária poderia se resumir no   tripartidarismo: um conservador para manter as práticas do capitalismo; outro, reformista, querendo mudanças profundas, mas mantendo a espinha dorsal do capitalismo; e um terceiro, romântico como o Partido Comunista. Três facetas divergentes que sintetizam todo o pensamento político.

Consequência

O tripartidarismo, provavelmente, voltaria a despertar o interesse de grande parte da população pela política. Hoje, a existência de 33 siglas confunde, provoca o ceticismo e deprecia tudo.

É uma festa

Há décadas, empresários que circulam por ministérios e o Congresso Nacional são unânimes na avaliação: dinheiro público serve até para acender fogão de lenha nos churrascos de Brasília.

Valor a preservar

O ministro Carlos Ayres Britto, quando presidiu o Supremo Tribunal Federal, declarou que “não existe meia liberdade de Imprensa”. Ao rejeitar qualquer tipo de censura prévia, foi taxativo: “A liberdade de Imprensa ocupa, na Constituição, o pedestal de irmã siamesa da Democracia.” Foi mais claro ainda para não deixar dúvida: “O pluralismo da mídia é a cultura do debate, do pensamento crítico. Do contrário, a informação é enviesada.”

Modo caseiro

Em junho de 2013, começaram a surgir as primeiras reportagens sobre a escola em casa, uma opção ao ensino formal. Moradores de Sobradinho, município do Distrito Federal, Darcília e Josué Bueno optaram por educar os 10 filhos fora da escola. O método, comum nos Estados Unidos, enfrentava problemas de regularização no país.

Chance de escolher

Os 10 filhos da família Andrade Bueno tinham rotina de estudos quase integral. Em uma sala com prateleiras cheias de livros, computadores, mesas e cadeiras, os menores estudavam de manhã. Acordavam, tomavam café e começavam a rotina. À tarde, era a vez dos adolescentes aprenderem, sempre acompanhados pela mãe, com formação para lecionar no ensino médio. Os maiores também orientavam os mais novos na alfabetização e auxiliavam nas tarefas domésticas.

Patrulhamento

A opção dos pais em não matricular os filhos em escolas vinha desde o casamento. Embora estivessem satisfeitos com os resultados, Darcília e Josué enfrentavam problemas devido à falta de legalização da modalidade educacional. Parentes estranharam o método e denunciaram a atitude ao Conselho Tutelar.

Precipitados

Não faltam políticos que falam duas vezes antes de pensar e se consideram grandes sábios.

Mau uso do poder

Recomendações de assessores a candidatos, que jamais serão registradas em papel ou no computador para não comprometer os autores: 1º) Continue quase tudo o que foi feito pelo antecessor, mas mude os nomes dos projetos. 2º) O seu antecessor é, por norma, a referência política que ainda está na mente dos eleitores. Trate de apagá-la. Para isso, deixe vazar alguns escândalos. 3º) Pegue o maior fracasso do antecessor, mude tudo e explique didaticamente ao distinto público que estava tudo errado.

Distantes

No palco rotativo das campanhas, as cenas se sucedem: articulações, acordos, financiamentos e cálculos de coeficientes. Para a maioria dos eleitores, assuntos fora da pauta. Prova é a pergunta que muitos pesquisadores costumam ouvir: “As escolhas deste ano são para quais cargos mesmo?”

Radiografia

Com o financiamento público, muitas campanhas terão dinheiro demais e ideias de menos.

 

Exemplo

A impunidade é o maior convite ao crime. O império Romano sacudiu com o vandalismo dos bárbaros. Átila conseguiu incutir terror na civilização mais avançada da época.

 

Em busca do dinheiro

O governo do Estado tenta obter no Banco Interamericano de Desenvolvimento empréstimo de 500 milhões de dólares para o processo de ajuste fiscal, visando especialmente reduzir o passivo de precatórios. Quanto aos motivos que deram origem às dívidas que totalizam R$ 16 bilhões, persiste a cortina de fumaça. Os responsáveis pelas ações em que o Estado foi derrotado, com sentença transitada em julgado, ficarão inocentados.

 

No meio do caminho

Levantamento do Tribunal de Contas da União: há décadas, o Brasil tem mais de 14 mil obras inacabadas em contratos que somam R$ 144 bilhões. São escolas, hospitais, pontes, praças, estradas, ciclovias, quadras esportivas, mercados públicos, abrigos, casas populares, aterros sanitários, sistemas de saneamento e urbanização, terminais de passageiros e uma infinidade de outros empreendimentos esquecidos num limbo aparentemente insuperável.

Não adianta ficar só na denúncia. Pelo custo que o Tribunal tem, precisa ir adiante.

É demais?

A opinião pública pede poucos aos políticos:  ética e coerência.

 

Sem rodeios

Observação feita em artigo por Osiris Lopes Filho, secretário da Receita Federal, de 1993 a 1994, e professor de Direito da Universidade de Brasília: “Os tributos pagos pelo contribuinte, determinados na lei, são incluídos nos preços das mercadorias ou serviços e tendem a ser absorvidos pelos consumidores finais. Daí, a propriedade de se chamar de padecentes tributários essas pessoas destinatárias dos encargos tributários camuflados nos preços finais praticados no mercado.”

Afobados

Em pouco tempo, muitos candidatos de primeira viagem começarão a sentir os sintomas tradicionais: dificuldades para comer e dormir. Com a intensa jornada de encontros, apertos de mãos, promessas, sorrisos e tapinhas nas costas surgirá a ansiedade. Os mais experientes aconselham: calma e caldo de galinha. Tudo em nome da possibilidade de deter canetas poderosas tanto nos Executivos como nos Legislativos.

Abriu o jogo

Vladimir Putin se comparou ao czar que se autodenominou Pedro, O Grande. Sustentou guerras, ampliou as fronteiras da Rússia e ficou 42 anos no poder.

Resistência à agressão

Reportagem de Tiago Garcia no jornal espanhol El País: “A mulher que cultiva rosas a 30 quilômetros da frente de guerra na Ucrânia. As flores de Natalia em Kramatorsk iluminam o centro de uma cidade triste que sofre ataques russos todos os dias.”

 

Ambição

Enquanto Putin sonha, o conflito por ele provocado deixa de abastecer mercados, sangra economias em todo o mundo e põe governos em pânico.

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