Confirmado na última semana como candidato à presidência do Grêmio, Alberto Guerra esteve nesta quinta-feira (15) no RDC Esporte. Além de apresentar propostas principalmente para o futebol do clube, Guerra também reafirmou não ver com bons olhos a compra da gestão da Arena.

Confira os principais trechos da entrevista:

Renato

“É um excelente treinador, mais do que a idolatria. É um dos melhores do Brasil, está cotado para a Seleção Brasileira. A gente já viu inúmeros outros treinadores que fazem um trabalho bom, outro ruim… o Renato sempre que passou por aqui deu resultado. E o astral que ele traz é impressionante. A gente viu no jogo contra o Vasco. Não é só no time, é no clube, na torcida. Por que vamos abrir mão de um treinador identificado, gremista, e que sempre deu bons resultados para o clube?”

Profissionalização do clube

“A profissionalização não é simplesmente pagar salário. Têm vários abnegados, na minha época quando entrei no jurídico, se trabalhava de graça para o clube, e nem por isso a gente não era profissional. Profissional está na atitude. O que a gente está propondo aqui é trazer esses profissionais na acepção da palavra. Transformar o Grêmio no que se fala há muito tempo, mas a gente ainda não viu, de um caráter mais empresarial. De cobrança salutar por resultados. No Grêmio parece uma grande prefeitura às vezes, em que as coisas não andam”.

Departamento de futebol

“Sei que está um pouco batido, mas isso vocês podem me cobrar depois. No futebol [a ideia] é ter um executivo de futebol de ponta, extremamente respeitado seja quem for o treinador. Estamos criando as posições de gerente de futebol e coordenador técnico. Ter um auxiliar permanente também é importante. Agora o Renato chegou e o Grêmio não tinha um auxiliar para dizer como os jogadores estão, quem está bem, quem não está. O projeto tem que ser do clube, não do treinador”.

Kannemann

“É óbvio que se a gente pegar só esse ano, 8 partidas, não vale [renovar]. Quando referi que renovaria com o Kannemann, eu parti de um princípio, que a lesão no quadril está superada. E ele mostrou que está superada. O que ele está recuperando agora são de duas lesões seguidas musculares, que até tem uma certa normalidade para quem ficou muito tempo fora. Ele vai voltar a jogar em alta qualidade ano que vem. Isso que se espera, isso que se diz. Se a gente for ao mercado contratar um jogador de metade do nível do Kannemann, não identificado ainda, quanto vai custar isso? 1 milhão de dólares? 2? Isso em reais dá 10 milhões. Dá quase um milhão por mês. O que quero dizer com isso é que ao fim de um ano, esse novo zagueiro que a gente possa contratar vai custar muito próximo ao que custa o Kannemann”.

Departamento médico

“Aqui não é uma crítica ao departamento médico, acho até que eles são vítimas de um sistema muito antigo. Se a gente pegar os departamentos de saúde e ciências dos clubes que adotaram isso, há um alto grau de investimento na recuperação dos atletas e na prevenção de lesão. E é aí que a gente quer entrar. Não vai ser mais o médico, reizinho do feudo, e as outras áreas abaixo, como fisioterapia e nutrição. Vai ser uma forma horizontal de trabalho, com um coordenador de saúde”.

Transição

“Eu gosto da Transição se ela for usada como Transição, não como sub-23, contratando jogadores para lá, ficando lá três, quatro anos jogando na Transição. O que é a Transição e por que esse nome? São jogadores que estouraram a idade da base e talvez não estejam prontos o suficiente para estarem no grupo principal. Mas essa passagem tem que ser de um ano, um ano e meio. Não deu? Aí eu concordo em passar para outro mercado, fazer uma venda menor.”

Categorias de base

“O principal é a captação. E o que notei nas passagens – ainda que sempre tenha trabalhado no profissional, e no Grêmio é bem dividido – algo que atrai os empresários a trazer seus jogadores é a estrutura. Às vezes não é nem a ajuda de custo. É a carreira, saber que vai subir, que o clube aproveita no profissional. E o Grêmio tem um histórico de aproveitamento. Pode até não serem grandes craques, mas o Grêmio aproveita jogadores”.

Gestão da Arena

“O fato de o Grêmio há mais de 8 anos dizer que vai comprar a Arena faz com que quem tem o negócio na mão não queira investir. Nós investiríamos numa melhora de software, ou em comprar catracas, se daqui a um mês se diz ‘vou comprar, vou comprar…’ então acho que está na hora de mudar o discurso, sentar com a Arena. Não fui convencido de que a compra é o melhor negócio para o Grêmio. E aí junto com eles fazer um ganha-ganha, onde eles possam explorar o lindo estádio que eles construíram, talvez o mais bonito estádio privado do país. Vamos comprar e fazer o que com isso?”

Marketing

“Eu que venho da área da propriedade intelectual sei o quanto é importante a marca, e explorar os nossos próprios conteúdos. Participei lá atrás do início dos licenciamentos de todos produtos do Grêmio, dos primeiros contratos de direitos de imagem. Eu acho que a gente usa pouco isso. O Grêmio tem contrato com o Renato, Kannemann, Geromel, tinha com o Maicon. Imagina fazer uma entrevista. Todos os canais de comunicação querem uma hora com eles, e isso é muito difícil. Mas o Grêmio contratualmente poderia fazer isso, explorar seus canais, ser um gerador de receitas. E também produtos linkados aos jogadores. Tem muita coisa que pode ser feita”.

Foto: Reprodução/RDC TV

 

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