A noite desta segunda-feira (19) é especial será especial para Lázaro Ramos, o ator recebe o troféu Oscarito, reservado aos grandes nomes do cinema nacional. Durante a tarde, o homenageado do dia conversou com a imprensa e falou sobre racismo, seu início no cinema e revelou a falta de vontade para interpretar personagens históricos.

Lázaro foi bastante questionado em relação ao racismo no cinema e no Brasil. Ele contou que busca tocar as pessoas quanto ao tema com afetividade. “Acho que o meu trabalho, que eu  tento fazer e a linguagem que eu tento adotar, eu tento encontrar maneiras que toquem a sensibilidade das pessoas para as vezes tirar um pouco do racional e através de estímulos afetivos, ir transformando pensamentos, seja nas escolhas dos filmes que eu faço, na maneira que eu falo”, contou.

Ainda assim, o ator confessou que, por vezes, é doloroso, já que não pode se expressar sempre da maneira que sente, mas entendendo o poder do microfone, sua fala precisa ser “estratégica”, para, “agregar e transformar”. Ao mesmo tempo, ele vê a arte como uma aliada e lembrou que quando fez os teste para “O Homem que Copiava”, disputou o papel com atores de diversas etnias. “E ele (Jorge Furtado) me escolheu sem mudar nenhuma linha do texto e muitas pessoas se emocionaram com aquela história. Isto é transformador”, revelou.

Questionado sobre que personagem histórico gostaria de interpretar, Lázaro Ramos revelou que não tem interesse por papéis assim. “Não tenho a menor vontade de fazer Hamlet, por exemplo. Não tenho a menor vontade de fazer Otelo. Olha que loucura, preciso falar a verdade. Toda vez que alguém me chama para fazer Otelo,eu falo, só se eu for Iago”, confessou. Ele explicou que sente mais vontade de contar histórias novas. “Neste momento, estou interessado em falar do hoje para plantar o amanhã”, completou.

 

Carreira no cinema

Oriundo do teatro, o global foi sincero quando questionado sobre o que motivou a iniciar no cinema. “Migrar para o cinema foi a necessidade de pagar o aluguel. Não tinha uma plano de carreira, virar ator de cinema”, contou. Ele ainda lembrou que a transição trouxe dificuldades, já que estava acostumado com outro ritmo para a composição dos personagens, em um processo que é mais lento para os palcos do que para as telonas. 

Por outro lado, também afirmou que depois que o ator se adapta, muitas vezes encontra dificuldades com diretores que acreditam que não existe a necessidade de uma orientação. “Você tem que ter a sabedoria e dizer a ele: ‘preciso da sua ajuda, preciso que você me dirija”, comentou.

Se mudaria alguma coisa em sua carreira, ou se tinha algum arrependimento, ele brinca: “talvez, Cinderela Baiana”, filme estrelado por Carla Perez, que não emplacou nas bilheterias, nem na crítica. Lázaro Ramos riu e contornou. “Todo o filme é um registro do seu tempo e do momento do ator. É isso que me apaixona tanto no cinema”, completou.

Foto: Edison Vara / Agência Pressphoto