Foto: Warner Bros / Divulgação

“Barbie” é um dos maiores cases de sucesso do cinema nos últimos anos; com um marketing inteligente e muito bem feito, o filme antes mesmo de chegar aos cinemas já havia gerado uma imensa mobilização do público, que tratou de lotar as salas, batendo números impressionantes, especialmente no Brasil, onde foi o segundo maior bilheteria no dia de estreia, sendo consolidado pela crítica especializada e validado pelo público. Mas a pergunta que fica é: Será que Barbie de fato é um filme tão bom assim? Todo esse sucesso condiz com a qualidade da obra como produto cinematográfico?

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Dirigido por Greta Gerwig, “Barbie” conta a história da boneca que desde o final dos anos 50 e início dos anos 60, foi associada ao símbolo máximo de beleza e juventude que uma mulher pode alcançar. No filme, todo esse “mundo perfeito” mostrado na Barbielândia cai por terra quando a personagem-título interpretada por Margot Robbie, começa a apresentar “defeitos” e acaba sentindo na prática que o mundo pode não ser tão perfeito assim. Para descobrir de fato o que está acontecendo, precisa partir em uma jornada ao mundo real para encontrar quem está brincando com ela e entender os motivos de sua vida ter mudado de maneira tão drástica.

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Enquanto na Barbielândia o designer de produção impressiona, no mundo real é onde o filme fica mais divertido. Toda a jornada de autodescobrimento da Barbie, ela entendendo sua real influência na sociedade, para o público feminino e a sua estranheza em conhecer um lugar onde (quase) nada é perfeito, geram ótimos momentos. Recheado de críticas sociais, temos aqui uma dosagem que funciona, já que Greta Gerwig consegue balancear essas críticas entre o drama e a comédia. O roteiro ajuda nessa construção, já que costura muito bem essas relações entre homem e mulher, sendo um filme para todos, não apenas para o público feminino. Um exemplo disso é o Ken de Ryan Gosling, que vem ao mundo real e quer implantar o “patriarcado” no mundo das Barbies, já que lá é totalmente ofuscado.

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Falando em atuações, os dois protagonistas mandam muito bem. Enquanto Margot Robbie consegue passar muito bem as angústias da boneca, Ryan Gosling abraça a galhofa. Os dois em cena funcionam e carregam os principais momentos do longa, já que o elenco de apoio é subaproveitado. Quando o filme busca abordar mais os coadjuvantes, eles não são tão interessantes assim, o grande exemplo disso é a mãe e filha que são parte importante da narrativa. America Ferrera e Ariana Greenblatt são operantes, tem uma grande importância na narrativa, mas não empolgam. Os executivos da Mattel são o ponto mais baixo do filme, apesar de gostar muito do Will Ferrell, as tentativas de humor desse núcleo não funcionam.

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Logicamente nem tudo é culpa dos atores, o texto em alguns momentos não ajuda, com diálogos super expositivos, o roteiro dá algumas derrapadas e o filme perde um pouco de ritmo lá pelo final do segundo ato. O resolução do conflito foi um pouco anticlimática pra mim, mas nada que estregasse a experiência. Quanto a parte técnica, tiro o meu chapéu para “Barbie”. O filme é lindo, tem uma ótima trilha sonora, um designer de produção que não canso de elogiar, a Barbilândia é fantástica, o figurino é muito bom e os momentos musicais são extremamente bem coreografados. No fim, a mensagem que o filme traz é bonita e deixa muito claro que de fato houve desenvolvimento de personagens, sendo mais que apenas uma mera adaptação.

Foto: Warner Bros / Divulgação

Tecnicamente magnifíco e narrativamente interessante, “Barbie” mais acerta do que erra. Não é um filme perfeito, mas nem a própria Barbie é, não é mesmo? Muitos mais que perfeição é um filme necessário e cheio de personalidade, que adapta e moderniza a figura icônica da boneca, de uma maneira leve e divertida. “Barbie” é brincadeira para todas as idades. Vale seu tempo!

Por: Matheus Furtado

Nota: ⭐⭐3.9

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