Crazy Guns encarna os ídolos americanos há 20 anos. Foto: Elena Costner

Aglomerados diante de enormes telões de projeção que passavam clipes musicais, se encontravam gerações de familiares: avós, seus filhos e os filhos de seus filhos, um público variado que apenas a cultura do Hard Rock é capaz de reunir. 

Todos aguardavam ansiosamente pelo início do espetáculo de Rock Clássico, enquanto dançavam e entoavam hinos oitentistas como “Poison”, “Open Letter to a Landlord” e noventistas como “Enter Sandman”, junto com as caixas de som. Quanto mais o tempo avançava, mais pessoas se aproximavam da beirada do palco.  

O evento não tratava-se apenas de uma festa comum em um sábado à noite, mas sim de uma festa de aniversário. Dentro de pouquíssimo tempo, Marcelo Oronoz, vocalista da Crazy Guns, subiria ao palco para comemorar os 20 anos de estrada da banda tributo ao Guns n’ Roses. Acompanhado do baixista Vinicius Vitola, o baterista Christiano Oliveira, o tecladista Luks Diesel e os guitarristas Eduardo Rimolli e Matteo Ponso de Castro.

Foto: Elena Costner

Enquanto o público enchia o bar, o grupo aceitou responder a algumas perguntas sobre a longevidade da banda, o cenário cultural e alguns projetos individuais regidos pelos integrantes. 

“A Crazy Guns passou por algumas formações, inclusive sou o único restante da formação original, depois o Dudu se juntou, e em seguida foram aparecendo outros músicos que foram substituindo uns aos outros”, conta Marcelo Oronoz. “E o que fez a banda se manter viva todos esses anos foi principalmente a vontade do Dudu e a minha de continuar fazendo um cover de qualidade e o desejo de levar a experiência do Guns n’ Roses para cidades onde a banda original talvez jamais iria. Lugares como o interior de Santa Catarina, Paraná, Uruguai, que a gente já tocou também. Todos esses lugares para os quais a gente levou a experiência do Guns. Então foi a paixão pela banda e a conexão com os fãs, os Gunners, que levou a gente a essa longevidade, até chegar a esses 20 anos”, finaliza.

Sobre a pressão da base de fãs da banda original ele comentou: 

“Sempre houve pressão dos fãs para tocarmos determinadas músicas né, então dependendo do lugar que tu vai tu recebe cobranças como ‘quero ouvir tal música’ ou ‘quero ouvir tal álbum’. Isso sempre aconteceu, nunca foi uma grande pressão, mas sempre houveram pedidos que dentro do possível a gente tentou atender todos esses anos.”

Ele comentou ainda que “existe também a pressão visual, porque o público ao nos assistir quer ter uma experiência próxima do que é assistir o próprio Guns né, então a gente sempre tentou visualmente e musicalmente replicar a experiência do Guns, para que as pessoas saíssem do show com essa impressão. Nós sempre tentamos reproduzir as músicas da forma mais fiel possível, sem fazer versões ou alterações, para que a experiência do fã fosse a mais original possível.” 

Foto: Elena Costner

Quando perguntado sobre as mudanças que Oronoz observou no público e no cenário musical de Porto Alegre ao longo dos anos ele disse: 

“Nesses 20 anos o perfil do público mudou bastante. Lá no início da banda era um público mais underground, camiseta preta, pessoal mais ‘enlouquecido’ que fazia roda punk em praticamente todos os shows.” Ele comenta rindo. “Enfim, isso foi mudando né, as pessoas também foram envelhecendo. Hoje em dia nosso público é um público mais velho, na casa dos 30, 40 anos, até mais. Mas é legal ver que em todos os lugares que a gente toca tem um pessoal mais novo indo conferir, as vezes por influência dos pais, dos irmãos mais velhos. Gurizada de 16, 17, 18 anos indo ver a gente. Isso mostra que o Guns tá passando de geração para geração. Inclusive, em alguns shows, até crianças a gente já viu. Pais levando suas crianças de 7, 8 anos pra ver o show, e as crianças emocionadas. Isso nos dá uma satisfação muito grande, ver que essa cultura Gunner do Hard Rock, e enfim, de outras bandas da mesma época, acaba passando de geração para geração. O que mostra que esse espírito não vai morrer tão cedo.”

O guitarrista base, Matteo Ponso de Castro, sendo um dos últimos membros a entrar para o projeto, tem uma história engraçada sobre o caminho que o levou até a banda: 

“Meu tio e a banda dele foram convidados para uma festa a fantasia. Eles tem uma banda cover de AC/DC então acharam que seria engraçado que todos fossem vestidos dos integrantes do Guns n’ Roses naquela noite. Os integrantes da Crazy Guns foram àquela mesma festa e viram ele vestido de Izzy. Bom, ele era um guitarrista que já ficava bem nas roupas e a Crazy Guns estava atrás de um guitarrista, então o convidaram. Como ele não podia naquele momento, eu fui o próximo na linha de sucessão”, diz sorrindo o guitarrista. 

Fotos: Gabriela Kuhn e Elena Costner

O baterista também nos apresentou uma história um tanto quanto inusitada:

“Conheci a Crazy Guns em um show no Garagem Hermética, lá por volta de 2006 ou 2007, no qual outras bandas iriam tocar tributos ao Guns e ao Nirvana. Isso quando eu ainda era adolescente. Comecei a ir a vários eventos nos quais a banda tocava. Até que entrei para a banda tributo de Nirvana e comecei a dividir palco com eles em festivais como o Rock n’ Bira e etc”,  relata.

“Um dia, quando ia rolar mais um Rock n’ Bira nos qual eles iriam tocar, eu fui tocar com o tributo de Nirvana. Na hora da apresentação do Crazy Guns, o guitarrista base não apareceu, dormiu mais que a cama antes do show.” Christiano diz bem humorado. “Eu falei que sabia tocar as músicas e acabei fazendo o show com a banda.”

Foto: Elena Costner e Gabriela Kuhn

Diego Vogt (o tecladista titular que não pôde estar presente na festa em questão) conta que era pianista do restaurante Três Gurias, na Cidade Baixa e sempre gostou de tocar arranjos de Rock e MPB. 

“De repente veio um cara engravatado, chegou no piano e perguntou se eu curtia Guns” , relatou. “Respondi que ‘sim, muito’ porque de fato foi a banda que me fez cair de cabeça no Rock quando eu era adolescente. Ele disse que tinha uma banda tributo chamada Crazy Guns que eu, por coincidência, tinha visto tocar em Carlos Barbosa quando tinha 14 anos, e disse que era o vocalista.” Diego se divertiu. “Eu, espantado com aquele cara de terno dizendo que era o Axl da banda, perguntei meio desacreditado: ‘tu é o vocal?!’”.

Depois de um teste que ocorreu no apartamento de Diego, ele se tornou o tecladista oficial e tocou com a banda pelos últimos 6 anos. 

Ao serem perguntados sobre o desejo de dar início à projetos autorais, os integrantes disseram que esse nunca foi um objetivo para a Crazy Guns, mas citaram alguns projetos dos quais participam ou participaram paralelamente como: Overvolt, que ainda pode ser encontrada no spotify; Black Diamond, um cover dedicado à versão unplugged da banda Kiss; Wolftrucker e FlorET. Todas podem ser encontradas no Instagram.

O baixista da banda Parasite, Leo James, prestando tributo à Kiss. Ao lado o vocalista da Banda Blackout, Luciano Schneider, que presta tributado a banda Scorpions. Fotos: Elena Costner

A festa contou ainda com a participação de outros tributos renomados do RS, como: Parasite Kiss Cover, Blackout Scorpion Cover e a banda autoral JLuizzzz. Com repertório de 45 minutos cada, e set dobrado para a banda aniversariante, o evento com cerveja liberada foi realizado no bar Opinião, que fornece um grande palco com um belo show de luzes, teve quase 6 horas de duração e recebeu mais de 500 pessoas. O festival foi mais uma edição do Rock n’ Bira, evento tradicional de rock em Porto Alegre.

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