Os reveses sofridos pelo governo Bolsonaro na comissão que analisa a Reforma Administrativa levam a uma pergunta óbvia: para que servem as tais bancadas temáticas? A importância delas para a aprovação de pautas de interesse nacional foi vendida, ainda antes da campanha presidencial, como verdadeira salvação da lavoura. Seria uma forma de driblar os partidos e seus interesses supostamente escusos, estabelecendo uma nova perspectiva para as negociações políticas. Até aqui, entretanto, elas não se mostraram efetivas de forma alguma.

É bom lembrar que Bolsonaro instituiu esse novo modelo de composição, nomeando para seu ministério figuras ligadas a esses grupos setorizados que atuam no Congresso Nacional. As bancadas temáticas são compostas por parlamentares de diversas siglas e atuam de forma conjunta buscando avanços para suas bandeiras. A maior delas, a bancada ruralista, nomeou Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura. Quem também está representada na esplanada é a bancada da saúde, que emplacou Luiz Henrique Mandetta na pasta de mesmo nome. É bastante poder para pouco resultado.

O governo Bolsonaro continua refém de sua própria falta de articulação. O risco agora é que todas as modificações feitas pelo governo na estrutura administrativa sejam anuladas caso a Medida Provisória (MP) que as regulamenta perca seus efeitos. Ontem, no plenário da Câmara, um desentendimento entre o presidente da casa, Rodrigo Maia, e o deputado Diego Garcia (Podemos), levou a uma inversão de pauta sobre a ordem de votação dessa e de outras MPs que estariam travando a pauta. O resultado foi que a Reforma Administrativa passou para o fim da fila de prioridades e agora fica ameaçada pelo seu prazo de validade. Se não for votada até o dia 3 de junho, o governo volta a ter a estrutura anterior, com 29 ministérios.

A questão formulada por Rodrigo Garcia buscava tempo para o governo se organizar e reverter as derrotas sobre o Coaf e a Funai. Feita sem organização e estratégia, revelou-se um erro que pode ampliar os efeitos das derrotas sofridas. Até aqui, o novo modelo de fazer política se revelou um fracasso monumental e vai morrendo precocemente por inépcia de seus proponentes.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil