A Cinemateca Capitólio Petrobas recebe a mostra Insurreição a partir da terça-feira, 18. Com curadoria de Marcus Mello e realização do Goethe-Institut e da Aliança Francesa de Porto Alegre, a programação apresenta 17 filmes até o dia 28 de junho. O valor do ingresso é R$ 10,00, com meia entrada para estudantes e idosos.

Através de uma seleção de filmes clássicos e outros de produção recente, a mostra Insurreição busca relacionar movimentos de revolta iniciados na Europa no final da década de 60 e ver como eles ainda reverberam nos dias de hoje. A curadoria elegeu como ponto de partida o filme Uma Juventude Alemã, de Jean-Gabriel Périot, uma co-produção entre Alemanha e França que estreou na seção Panorama do Festival de Cinema de Berlim em 2015 e permanece inédita no Brasil. Neste documentário, o diretor resgata, através de um riquíssimo material de arquivo, as origens estudantis do grupo Baader-Meinhof e suas relações com o movimento dos estudantes franceses que tomaram as ruas em maio de 1968, refletindo sobre os seus distintos desdobramentos históricos e sua repercussão internacional.

Na tentativa de dar conta de questões tão complexas, além da exibição do documentário Uma Juventude Alemã, a mostra Insurreição apresenta várias outras produções inéditas, entre as quais se destaca a pré-estreia no Rio Grande do Sul de Espero Tua (Re)Volta, de Eliza Capai, documentário brasileiro sobre o movimento de ocupação das escolas premiado no último Festival de Cinema de Berlim. A controversa atuação do grupo terrorista Baader-Meinhof e suas repercussões na história recente da Alemanha está representada por um bloco de cinco filmes que trazem a visão de diretores alemães de diferentes gerações sobre as ações do grupo, também conhecido como Fração do Exército Vermelho: A Terceira Geração (1979), de Rainer Werner Fassbinder, Os Anos de Chumbo(1981), de Margarethe von Trotta, A Segurança Interna (2000), de Christian Petzold, e As Consequências do Crime(2015), de Julia Albrecht, além de Alemanha no Outono (1978), produção coletiva que envolveu dez diretores (Rainer Werner Fassbinder, Alf Brustellin, Hans Peter Cloos, Alexander Kluge, Maximiliane Mainka, Edgar Reitz, Katja Rupé, Volker Schlöndorff, Peter Schubert e Bernhard Sinkel) na sua realização e é considerado um dos clássicos do cinema político alemão.

Já a resistência dos movimentos em prol dos direitos homossexuais, que em junho de 2019 comemoram os 50 anos do célebre episódio do levante dos frequentadores do bar Stonewall contra a repressão policial dirigida à comunidade gay em Nova York (o marco inicial do ativismo LGBT), está representada pela exibição de 120 Batimentos por Minuto, drama de ficção que resgata a história dos ativistas do Act Up na França, à época da eclosão da epidemia da Aids. Também da França vem a obra-prima Zero de Conduta (1933), de Jean Vigo, que mostra o ocupação de uma escola por alunos revoltados com a tirania de seus professores, e os documentários Morrer aos 30 Anos, de Romain Goupil (sobre Maio de 68 e suas consequências), e A Assembleia, de Mariana Otero (sobre o movimento de organização social Nuit Debout, que eclodiu na França em 2016).

Ao lado do inédito Espero Tua (Re)Volta, os recentes movimentos de resistência e desobediência civil no Brasil estão representados por uma seleção de títulos que retratam desde as revoltas dos estudantes secundaristas em 2016 (Secundas, de Cacá Nazário, Escolas em Luta, de Eduardo Consonni, Rodrigo T. Marques e Tiago Tambelli, e Rasga Coração, de Jorge Furtado) e a mobilização dos trabalhadores sem teto (O Teto Sobre Nós, de Bruno Carboni, e Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé), até as manifestações de junho de 2013 (Operações de Garantia da Lei e da Ordem, de Julia Murat e Miguel Antunes Ramos).

A programação inclui, além da mostra de filmes, mesas de discussão sobre as relações entre os movimentos sociais protagonizados por estudantes nas décadas de 1960 e 1970, em particular na Alemanha e na França, e as atuais formas de insurreição popular, com uma atenção especial aos acontecimentos recentes ocorridos no Brasil após as manifestações populares de junho de 2013, que iriam culminar na destituição da presidente Dilma Rousseff em 2016.

Programação 
Sessões e horários de 13 a 27 de junho 

Quinta-feira, 13
14h – Kinoclube: Migração Alada
18h – A Solidão do Corredor de Fundo
20h – Mr. Shome

Sexta-feira, 14
14h – A Parte do Mundo que Me Pertence
15h30 – Suspíria – A Dança do Medo
18h – A Cor da Romã
20h – Projeto Raros Especial: Diário de um Ladrão de Shinjuku

Sábado, 15
14h – A Parte do Mundo que Me Pertence
15h30 – Suspíria – A Dança do Medo
18h – O Evangelho Segundo São Mateus
21h – Natal na Terra

Domingo, 16
14h – A Parte do Mundo que Me Pertence
15h30 – Suspíria – A Dança do Medo
18h – O Demônio das Onze Horas + debate com Enéas de Souza

Terça-feira, 18
13h30 – Suspíria – A Dança do Medo
16h – O Teto Sobre Nós + Era o Hotel Cambridge
18h – Zero de Conduta
19h – Secundas + Espero Tua (Re)Volta, sessão seguida de debate com os diretores Cacá Nazário e Eliza Capai e a ativista Marcela Jesus

Quarta-feira, 19
13h30 – Suspíria – A Dança do Medo
16h – As Consequências do Crime
18h – Os Anos de Chumbo
20h – Morrer aos 30 Anos

Quinta-feira, 20
14h – Divulgação em breve
16h – Operações de Garantia da Lei e da Ordem
18h – 120 Batimentos por Minuto
20h30 – Uma Juventude Alemã

Sexta-feira, 21
14h – Divulgação em breve
16h – A Segurança Interna
18h – A Assembleia
20h – Secundas + Escolas em Luta

Sábado, 22
14h – Diamantino (Sessão Acessível)
16h – Morrer aos 30 Anos
18h – Os Anos de Chumbo
20h – A Terceira Geração

Domingo, 23
14h – Divulgação em breve
16h – Uma Juventude Alemã
18h – O Teto Sobre Nós + Era o Hotel Cambridge
20h – Alemanha no Outono

Terça-feira, 25
14h – Divulgação em breve
16h – Morrer aos 30 Anos
18h – A Segurança Interna
20h – Secundas + Escolas em Luta

Quarta-feira, 26
14h – Divulgação em breve
16h – Os Anos de Chumbo
18h – A Assembleia
20h – Secundas + Zero de Conduta

Quinta, 27
14h – Divulgação em breve
16h – As Consequências do Crime
18h – Operações de Garantia da Lei e da Ordem
19h30 – Uma Juventude Alemã, sessão seguida de debate com a cineasta Liliana Sulzbach e a cientista política Silvana Krause

 

Reportagem: Cleber Saydelles/ Prefeitura de Porto Alegre,

Foto: Capitólio/ Divulgação