No dia mundial do livro, a dica é mais que simplesmente a indicação de um livro, mas sim de um autor: Rubem Fonseca. Falecido semana passada aos 94 anos, recluso levou até fim a sua aversão a entrevistas, preferia ser lido a ser visto. Possivelmente é o escritor com o maior número de não-entrevistas que se tem conhecimento.

O mineiro de Juiz de Fora foi contista, romancista, ensaísta e roteirista brasileiro e deixou uma obra indelével para literatura brasileira, foram mais de trinta obras e muitas delas viraram filmes e séries, como Agosto, na Globo e Lucia McCartney, na HBO. Em 2006, o mexicano Paul Leduc adaptou o conto O Cobrador, censurado na ditadura militar, para o cinema e exibiu a história criada pelo escritor mineiro no Festival de Veneza.

Principal obra do autor é Feliz Ano Novo, lançado em 1975 e que se tornou um best-seller imediato. No entanto narrativas de sexo, violência e conflito entre classes sociais levaram a obra a ser proibida pela censura do regime militar.

Nos contos e romances, Rubem Fonseca era direto e reto — usava uma linguagem forte, incluindo palavrões, raros até então na literatura. Os personagens dele falavam — e agiam — como gente de verdade. As histórias aconteciam em ruas decadentes e em salões da elite, retratos de um Brasil urbano, carregados de violência e injustiça social.

A dica para quem está começando a se aventurar na obra de Rubem Fonseca é Histórias Curtas. São 38 contos onde Rubem Fonseca traz a crueza narrativa que esfrega a realidade na nossa cara de forma perturbadora. Porém, como é típico do autor não há nenhum julgamento ou reflexão a respeito das atitudes dos personagens. As coisas são o que são, o autor apenas traz à tona ações terríveis de maneira incomodamente objetiva e depois cada um pense o que quiser a respeito do que leu. A camisa de força que estampa a capa dá o tom, a obra é toda permeada pela loucura.

Aproveitem o dia do livro, se puder fique em casa e boa leitura!

Texto: Moisés Machado