Neste dia mundial do livro, confiram essa dica sobre a obra Meio Sol Amarelo, que foi escrita pela autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie em 2008 e reeditada recentemente pela Companhia das Letras.

A história se passa em meio à guerra que dividiu a Nigéria com a tentativa frustrada de fundação do estado independente de Biafra. O Meio Sol Amarelo que dá nome à obra é justamente símbolo da bandeira de Biafra. A guerra entre Nigéria e Biafra, entre 1967 e 1970, gerou perseguições e massacres principalmente aos povos ibos. Enquanto seus líderes políticos, militares e empresariais mantinham relativo padrão de vida, até se cansarem e decidirem fugir para a Europa.

Nesta Nigéria erguida sobre a desigualdade social, se forma também uma panela de pressão étnica. Com a divisão do continente pelas potências europeias, o país encampou povos de culturas e tradições distintas: hauças, igbos, iorubas. Essa  tensão explodiria com com o sonho de independência da Biafra, a terra do meio sol amarelo. Durante o livro, contudo, o panorama político é apenas pincelado nas falas dos personagens. É sobretudo o drama humano que importa. 

Dentre todos os personagens que captam a atenção e o afeto, o centro da narrativa é a casa de Odenigbo e Olanna em Nsukka, cidade universitária nigeriana. Odenigbo é um professor bem relacionado no campus, seguro de si, com voz ativa sobre a independência nigeriana, sobre costumes e heranças do colonialismo. Já Olanna é descendente da classe alta do país, filha de um influente empresário, mas que não se reconhece em seu meio familiar. O personagem mais empático, contudo, é Ugwu, que chega ainda muito novo para trabalhar na casa de Odenigbo, saído de um pequeno vilarejo no qual cada pedaço de peixe era disputado pela família.

Seu assombro sobre os costumes descritos por sua tia nos cativa logo na primeira página:

“Ugwu não acreditava que houvesse alguém, nem mesmo esse patrão com quem iria viver, que comesse carne todo dia”.

Baseado em fatos reais transcorridos neste período histórico, este romance da premiada escritora vai além do mero relato, transformando-se em um grandioso painel sobre indivíduos vivendo em tempos de exceção. A história também ganhou as telas de cinema em 2013, confira o trailer (em inglês) abaixo:

Para Chimamanda, a primeira “ferramenta feminista” parte de acreditar, com convicção, na premissa de que, sim, você é uma pessoa que tem valor. Uma mulher que tem igualmente o valor que um homem tem. Ela ficou bem conhecida pelo livro Sejamos Todos Feministas de 2014.

Texto: Caroline Musskopf