O escritor Moisés Machado, de 32 anos abriu a conversa revelando que sempre gostou de escrever. Citando o poema “Então queres ser um escritor?” de Charles Bukowski, definiu sua visão sobre como se escreve:

“…se o fazes por dinheiro ou fama,
não o faças
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças…”

Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Metodista – IPA, Moisés se diz fã de Paulo Henrique Amorim e Boechat, mas confessa que suas inspirações desde de piázito, vieram de uma cidadela de menos de 40 mil habitantes. Dom Pedrito a quase 500 km de distância da capital, aproximou através das ondas de rádio, o então pequeno Moisés dos jornalistas João Roberto e Airton Lins que são muito conhecidos Região da Campanha. O escritor pode conhecer e ser amigo deles depois que se formou e começou a viver a lida jornalística.
Sem deixar as estrelas de fora de seu leque de inspirações, o escritor admira a forma como o jornalista Caco Barcellos trata e trabalha suas fontes, sempre tudo muito simples de forma organizada e com um texto claríssimo. Com um sorriso brincalhão, Moisés exclamou “ O cara que eu costumo dizer que é meu avô no jornalismo é o Nelson rodrigues, mas não tanto pelo trabalho jornalístico e sim pela literatura”

Quando se falou em perspectivas e mudanças o escritor parou e refletiu por alguns momentos até retomar o assunto. O pensamento lhe veio. E então, ele falou que as opções de hoje são maiores do que as de antigamente. Moisés no início da faculdade, gostava apenas de escrever por influência de sua Mãe, e de rádio porque desde que ele pode se lembrar, seu Pai andava sempre com um aparelho de som sintonizado na Rádio Upacaraí e aquilo passou a ser um costume para ele. Mas foi na faculdade que ele descobriu os documentários, parte do jornalismo que lhe encantou e hoje ele trabalha com edição audiovisual.

Entre as curvas que a vida dá, uma delas são os momentos que o escritor reserva para tirar suas histórias da cabeça e botá-las no papel (neste século chamado de WORD) em forma de crônica, Moisés transforma histórias rotineiras de dentro de um ônibus ou da mesa de um bar, em histórias ácidas e intrigantes, daquelas que lemos por compulsão, por necessidade de saber o fim da trama.

As crônicas são no fim das contas, sua verdadeira paixão. Para quem diz que nunca teve pretensão de ser um escritor, este é um bom exemplar da categoria. Com toda a propriedade de quem escreve acima de tudo para si mesmo, Moisés fala, como quem conta um segredo “ O caderno e o lápis sempre foram meus confidentes”.

Acompanhe a partir do próximo domingo as crônicas de Moisés Machado no site da RDCTV.

Foto: Giovanna Kops / RDCTV