Uma época em que mulheres eram criadas para serem, apenas, mães e esposas. No século passado, muitas das profissões que nos dias de hoje são ocupadas por homens e mulheres eram consideradas masculinas. Assim acontecia em cargos de Polícia e Corpo de Bombeiros, entre tantas outras profissões. Com sensibilidade e garra elas têm se destacado.

  Olmira Leal de Oliveira “Cabo Toco”

No ano de 1923 a realidade começou a mudar, pelo menos, na corporação da Brigada Militar (BM), no Rio Grande do Sul. Com 21 anos, a jovem natural de Caçapava do Sul, Olmira Leal de Oliveira entrou para a história do Estado quando foi integrada à BM. Enfermeira e combatente no  1º Regimento de Cavalaria, hoje 1º Regimento da Polícia Montada , com sede em Santa Maria.  Graduada a cabo e devido a sua baixa estatura, por “Cabo Toco.”

A Cabo Toco participou dos movimentos revolucionários de 1923, 1924 e 1926. É a patrona da primeira turma de Policiais Militares Femininas do Estado do Rio Grande do Sul. Recebeu destaque de bravura, por não se limitar quando estava em atividade.

Dentro da Brigada Militar ficou reconhecida por uma mulher forte e guerreira. Junto aos demais colegas, ela empunhava o seu fuzil e lutava lado a lado com a mesma valentia dos demais soldados. Em 1932, deixou a corporação para se dedicar à família.

O reconhecimento

Apesar de ser considerada uma heroína dentro da Brigada Militar, o êxito só veio depois de 1987. Nilo Bairros de Brum e Heleno Gimenez escreveram uma canção contando a história da cabo. O reconhecimento da policial veio quando a música venceu 5ª Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul.

Com os anos, o número de policiais militares cresceu e elas foram ocupando mais espaço. Apesar disso, no Rio Grande do Sul as mulheres ocupam, apenas, 6,35% do efetivo do Corpo de Bombeiros.  Mesmo com o percentual não muito alto, elas tem um papel muito importante.

 

Mulheres na corporação

Detalhistas e com um olhar mais sensibilizado, as policiais militares levam para o dia a dia a leveza e a tranquilidade, de serem mulheres, nos momentos de tomarem decisões.

A Major Biane Rodrigues do Corpo de Bombeiros relembra uma ocorrência em colegas a chamaram para dar uma notícia, que eles mesmo disseram que não conseguiram dar da mesma forma. Na época, ainda como Capitão ela precisava informar a uma mulher que a corporação havia encontrado o corpo do seu marido.

“Fazia dez minutos que o marido dela estava sentado na sala vendo TV. Eu disse, vocês façam o seguinte eu vou falar com ela, mas vocês fiquem atrás porque ela vai desmaiar”, conta a Major Biane. Ela tinha certeza que a mulher iria cair para atrás, por isso orientou aos colegas que a segurassem. Após a notícia, uma surpresa.

“Diferente do que eu havia previsto ela não caiu para trás. Ela caiu pra frente nos meus braços. No final da ocorrência, o meu efetivo veio e falou, capitã que bom que a senhora estava aqui, nós não conseguiríamos fazer do jeito que a senhora fez”, recorda.

Para a Capitã da Brigada Militar Karine Soares as mulheres conseguem enxergar mais detalhes e ao redor o que é diferencial e enrique o trabalho da polícia. Assim como em situações como a da Major da Biane.

“Quando a gente vive num mundo com muitos homens a gente não percebe, mas quando chega uma mulher a gente percebe uma mudança no ambiente, às vezes, no trato, no trabalho. Eu acho que a mulher vem para dar uma leveza e um olhar diferenciado e, ao mesmo tempo, de responsabilidade e cuidado”, acredita a Capitã.

A Major Claudia Vargas que trabalha na área da saúde mental do Hospital da Brigada Militar, de Porto Alegre, explica que as mulheres “são mais transparentes”.

“A mulher de um modo geral tem mais facilidade expor. Isso é mais saudável, ela consegue vir consegue e ser completamente transparente, dizer tudo que está sentindo e conectando o afeto”, afirma. Ela ainda diz que isso é um diferencial em relação aos homens que, na maioria das vezes, têm dificuldades de se exporem.

É com a sensibilidade e garra que as mulheres têm conquistado não só espaços dentro das polícias militares, mas em tantas outras áreas que antes eram ocupados, apenas pelos homens.

 

Foto: Divulgação Instagram Brigada Militar