| Alice Ros |

O setor varejista de Porto Alegre enfrenta dificuldades para recuperar os prejuízos decorrentes do fechamento do comércio não essencial. 

As atividades do setor foram paralisadas por três semanas, período de suspensão do sistema de cogestão. Segundo decreto estadual, apenas serviços considerados essenciais foram autorizados a operar durante a classificação integral do Rio Grande do Sul em bandeira preta.

Em entrevista ao programa Portal RDC (30), o vice-presidente da CDL POA, José Roberto Resende, definiu o cenário enfrentado pelos lojistas como complexo e disse que a categoria encara “problemas inimagináveis”.

“Neste momento, a dificuldade é imensa. O varejo essencial, porque o varejo foi dividido em varejo essencial e varejo não essencial, conseguiu passar por esse período razoavelmente bem e com poucas perdas. O varejo não essencial sofreu muito e está passando por problemas imensos, inimagináveis. A gente está vendo empreendedores vendendo bens para manter o seu negócio”, explicou Resende. 

O comércio essencial pode operar, desde 22 de março, de segunda a sexta-feira, com atendimento até às 20h. As atividades permanecem proibidas aos finais de semana.

Segundo o vice-presidente da CDL POA, a falta de consenso entre governo estadual e municipal sobre a abertura do comércio é um dos principais desafios relatados pelos lojistas. 

Resende afirma que é preciso planejamento prévio para reabrir os estabelecimentos. Episódios como o registrado no último sábado (27), quando o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) suspendeu o decreto municipal que previa a reabertura do comércio não essencial, são considerados mais prejudiciais. 

“Em uma situação como esta, precisamos ter equilíbrio entre economia e saúde. Ou seja, com alternativas que sejam boas para a saúde e boas para a economia”, indicou. “O maior problema que nós temos é a falta de previsibilidade. Na sexta-feira, está prevista a visão de que vamos trabalhar no sábado. E, de repente, não se consegue trabalhar no sábado, não se consegue trabalhar no domingo. Quando uma loja vai abrir, ela tem toda uma estratégia para abrir. A falta de previsibilidade é um desafio muito grande para o varejo”, justificou Resende.

Conforme o decreto assinado pelo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), na sexta-feira (26), o comércio e os serviços não essenciais, inclusive os localizados em centro comercial e shopping, poderiam abrir aos sábados das 5h às 16h.

Em relação ao auxílio emergencial anunciado pelo governo estadual, Resende disse que a iniciativa é bem-vinda, mas não será suficiente para conter os danos causados pelo fechamento do comércio. A proposta oferta repasses de duas parcelas de R$ 1 mil para os setores de hotelaria e alimentação.

“De qualquer forma, ajuda. É um dinheiro novo que entraria em condições normais, mas é muito pouco. É pouco perto do que o varejo está precisando”, projetou.

Para o feriado de Páscoa, Resende se diz otimista e considera que os lojistas estão lidando com novas alternativas de venda.

“A expectativa é melhor do que março do ano passado. As lojas estão buscando várias alternativas de venda, usando e-commerce, delivery. Todas as alternativas estão sendo usadas neste momento”.

 

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