Beto Fantinel, futuro secretário de Assistência Social concedeu entrevista exclusiva para a RDC TV. Foto: Lucas Rosa/RDC TV

Um orçamento superior aos R$100 milhões é o que projeta Beto Fantinel (MDB) como o mínimo para o trabalho na Secretaria de Assistência Social no próximo governo gaúcho. Anunciado pelo governador reeleito Eduardo Leite para a pasta, o político e cientista social  esteve na RDC TV nesta segunda-feira (26), participou do Portal RDC TV e concedeu uma entrevista exclusiva para a nossa reportagem.

“Vamos recompor o orçamento, já iniciamos este assunto. Tenho um estudo preliminar que precisamos de R$104 milhões para executar uma política com presença de Estado. Mas para avançar mais, precisamos de mais orçamento ainda”, explicou Fantinel, completando que é uma vontade do governador Eduardo Leite avançar na área social, o que deve abrir o caminho para a chegada de recursos. 

À nossa reportagem, o futuro secretário revelou o pedido de Leite para o desenvolvimento de uma “política pública robusta” na área social e também contou como foi o convite para dirigir a Secretaria. “Eu fui chamado pelo governador e ele disse que não aceitava o ‘não’ como resposta, então só tinha o ‘sim'”. Fantinel ainda explicou que o estado precisa desempenhar um papel de articulação e de apoio aos municípios na vulnerabilidade social.

O político também ressaltou a amplitude de pautas relacionadas à secretaria. “Trata  desde o combate à fome, segurança alimentar, cadastro único, questões de média e alta complexiadade, estruturação de políticas dentro dos Cras, dos Cres. É uma secretaria que dialoga especialmente com aqueles que estão em estado de vulnerabilidade social”.

Em seu trabalho, o novo secretário pretende aplicar políticas que possam ser mensuradas ao final de cada ano. “Para que possamos verificar os avanços”, comenta.

Integração com outras secretarias e com os municípios

Defendendo uma secretaria que atue com transversalidade, integrada com as outras pastas como Saúde, Educação e Segurança, ele destaca a importância das escolas de turno integral. “Mas qual é a escola? Tem que ser primeiro nos locais em que a vulnerabilidade social é mais forte. Aqueles ambientes precisam ser priorizados”, analisa.

Em outros locais, o emedebista projeta a colocação de escolas com cursos técnicos em regiões onde o emprego seja o principal problema.

Ainda no sentido de relação com outras secretarias, Fantinel vê nos 23 municípios indicados pelo RS Seguro como aqueles com maiores números de criminalidade locais prioritários para o trabalho de assistência social. “Vamos fazer este esforço para enfrentar situações de vulnerabilidade nos territórios que têm problemas de segurança”, projeta.

A relação com as prefeituras também será prioritária para a nova secretaria. “É no município que a vida acontece. Nós vamos estar em sintonia com os prefeitos e com os secretários, muito próximos.” Neste sentido, Fantinel também destaca a importância da transferência de recursos para as administrações municipais.

Impacto da área social

O cientista social lembra que as políticas públicas na área social têm uma relevância muito grande, já que impactam em vidas, famílias, comunidades. “É uma pasta que existe tranquilidade, presença, articulação, diálogo. O combate às desigualdades é feito coletivamente”, observa.

Neste sentido, ele vê a estruturação de políticas públicas com o quadro de pessoal reduzido como o principal desafio. Fantinel lembra os impactos deixados pela pandemia, entre eles o aumento da fome, como problemas a ser enfrentados, para o desenvolvimento do RS como um todo. “Não existe sociedade que próspera com amplitude de desigualdade social”.

“O enfrentamento da fome, da pobreza, se faz coletivamente. Não interessa a ninguém que as pessoas estejam em vulnerabilidade social. Faço o apelo para que cada um que está lendo, que puder exercer a empatia. Vamos estimular a iniciativa privada para que esteja com a gente, seja através de parceria, de qualificação, de doação, seja de capital humano ou financeiro. Tudo isso vai somar para construirmos um ambiente melhor”, finaliza.

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