
Foto: Joel Vargas/ GVG
Na manhã desta quarta-feira (27) o Lago Guaíba, um dos cartões-postais de Porto Alegre, alcançou a marca de 3,17 metros no Cais Mauá. Este é o nível mais elevado registrado desde 1941, quando as águas atingiram impressionantes 4,75 metros na região do Centro Histórico da cidade. Para efeito de comparação, durante a última grande enchente ocorrida oito anos atrás, o pico registrado na régua automática foi de 2,94 metros.
O prefeito Sebastião Melo esteve no local para acompanhar de perto o trabalho de reforço de sacos de areia na comporta 4 do Cais Mauá, situada no coração do Centro Histórico. Melo destacou a dedicação das equipes do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), que estão em prontidão 24 horas, monitorando os 14 portões que compõem o Sistema de Contenção do Guaíba e fortalecendo as defesas com sacos de areia.
Para minimizar os impactos da cheia, a prefeitura expandiu as opções de acolhimento para a população ribeirinha. A Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) registrou que 180 pessoas encontram abrigo em quatro locais temporários, incluindo duas novas estruturas.
A Escola Estadual Alvarenga Peixoto, localizada na Ilha dos Marinheiros, precisou ser evacuada devido às inundações. Parte das pessoas deslocadas foi encaminhada para o ginásio do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), enquanto outras famílias receberam acolhimento no Instituto Educacional Infantil ABCB São Francisco, no bairro Ponta Grossa. A Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, na Ilha da Pintada, e o Centro Social Padre Pedro Leonardi, na Restinga, também permanecem abertos para receber os afetados.
O presidente da Fasc, Cristiano Roratto, ressaltou o comprometimento das equipes da Fasc e de órgãos parceiros, que estão empenhados há 20 dias em prestar assistência humanitária às famílias afetadas pelas enchentes.
A Defesa Civil está ativamente envolvida na retirada dos moradores das áreas de risco, especialmente na Região das Ilhas, com o apoio do Corpo de Bombeiros e da Brigada Militar. Aqueles que necessitam de abrigo podem solicitar assistência através do número 199.
O Dmae monitora de perto o aumento do nível do Guaíba, reforçando as comportas com 190 toneladas de areia em sacos ao longo do Cais Mauá. No entanto, devido ao risco de choque elétrico causado pelas inundações, a Estação de Tratamento de Água (ETA) Ilhas, localizada na Ilha da Pintada, foi temporariamente desativada, afetando o abastecimento de água no bairro Arquipélago.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) recomendou que a população evite circular na Orla do Guaíba nos trechos 1 e 3, devido às interdições parciais. Além disso, os agendamentos para uso de equipamentos esportivos foram suspensos.
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Smsurb) está lidando com protocolos relacionados a quedas de árvores, com dez casos registrados até o momento, sendo três já resolvidos.
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) registrou até as 13h um total de 20 ocorrências, com quatro resultando em bloqueios totais devido a alagamentos em vias importantes da cidade. Três semáforos estão fora de operação e um poste caiu.
As três unidades de saúde localizadas no bairro Arquipélago estão temporariamente fechadas devido ao alagamento das ruas ao redor.
Em relação à educação, quatro escolas municipais e seis conveniadas tiveram as aulas suspensas. A cidade está monitorando de perto a situação climática através do Centro Integrado de Coordenação de Serviços (Ceic-POA), cujas atualizações em tempo real podem ser obtidas no Twitter do Ceic-POA.
Para qualquer dúvida ou emergência, a população pode entrar em contato com a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193). Os serviços municipais podem ser solicitados através do sistema 156 (telefone, site e aplicativo). Doações de alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e limpeza, bem como rações para animais de estimação, são bem-vindas e podem ser entregues no Centro Administrativo Municipal até sexta-feira, 29.


