O partido Novo nasceu sob o signo da novidade, sob a égide da luta contra o socialismo. Esse nascimento deveria definir a sua razão de existir. Por qual razão então, numa votação que definiria a própria causa da existência do NOVO, ele renuncia ao seu propósito e se irmana ao PC do B?

Pois na votação da lei que permite a privatização da Eletrobras foi isso mesmo que aconteceu. Ouvi algumas explicações, não entendi, e nada me convence. Essa associação é inimaginável, assim como é estranho o NOVO declarar-se de oposição ao governo Bolsonaro, e querendo ou não operar para o bem da causa que seu eleitorado quer ver derrorada, o ideário esquerda e seu projeto de retorno ao poder.

O Brasil é um país de capitalismo tardio e de captalismo de estado. Lembremos que por mais de 250 anos a manufatura foi proibida por aqui. Só com o Alvará de D. Maria algumas poucas indústrias foram permitidas. O país sempre teve preconceito com seus capitalistas. No período de Pedro II surgiu Mauá, que cresceu e depois sofreu ante a perseguição de um burocrata, o então ministro da Fazenda, que foi implacável. Essa desde sempre é a sina do empresário brasileiro, padecer sob a autoridade de um burocrata.

Até a metade do século XX o Brasil tinha pouca indústria e quase nenhuma infraestrutura. Sem poupança privada nacional o Estado brasileiro ( o único rico e portanto capaz de investimento nessa história), cria as grandes estatais – Petrobrás, Eletrobras, Telebras, exatamente pra promover o desenvolvimento brasileiro. O que deveria ter sido feito pelo privado, foi feito e custeado pelo Estado.

Pra romper com esse ciclo também nasceu o NOVO. E na hora H, na hora de aprovar a lei de privatização da Eletrobras, o que ele faz? Vota não, fechado, à unanimidade, e junto com o PC do B.

Na mitologia existem muitos seres híbridos, muitos deles representam o mal outros o bem. Entre ser um Grifo ou uma Esfinge escolha do NOVO a de acabar por ser consumido por sua incoerência. Que o eleitor o devore.

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