O Centro de Operações de Emergência (COE) do Rio Grande do Sul determinou que todos os respiradores armazenados em hospitais e unidades de saúde que estejam sem uso, seja por falta de equipe capacitada ou questões estruturais, sejam incorporados à rede do Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado. Os agentes públicos poderão adotar os procedimentos necessários para o cumprimento das medidas.
A determinação foi idealizada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e pactuada pelo COE, do qual fazem parte Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul, Conselho Estadual de Saúde, Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems), Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul (Sergs), Conselho Regional de Enfermagem (Coren/RS), Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito 5) e Conselho Regional de Farmácia (CRF/RS).
O documento conjunto também sugere que os agentes públicos municipais requisitem equipamentos que estejam subutilizados em clínicas e ambulatórios privados, a fim de possibilitar o uso em pacientes Covid-19.
De acordo com o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade, a situação nos hospitais gaúchos é grave.
“O momento é de extrema gravidade, e esperamos que os diretores de hospitais e gestores não só coloquem à disposição os equipamentos como nos ajudem a identificar outros sem uso, colaborando de forma parceira e solidária para salvar vidas”, disse Elsade.
Já a coordenadora do Centro de Apoio dos Direitos Humanos e Saúde do Ministério Público Estadual, Angela Salton Rotunno, ressaltou que o período de expansão dos casos exige união das instituições e consenso.
“Somente ações articuladas de diferentes instituições, direcionadas a implementar consensos mínimos, poderão minimizar os terríveis efeitos desta pandemia. Conclamar entes públicos e privados a adotar atitudes solidárias é um desses consensos. Esperamos conseguir sensibilizar todos setores da sociedade gaúcha nessa direção”, afirmou.
A SES adquiriu e distribuiu aos hospitais públicos gaúchos 230 camas, 230 respiradores e 230 monitores, com investimento de R$ 17 milhões, durante a pandemia. A secretaria aguarda processo de aquisição de mais 57 camas, 60 respiradores e 60 monitores para abrir novos leitos ou equipar os já existentes.
Do Ministério da Saúde, o Estado afirma que recebeu cerca de mil respiradores,
Hoje, o Rio Grande do Sul tem 106,2% de ocupação em leitos de UTI em geral, com 3.269 pacientes para 3.078 leitos de UTI. Três regiões Covid-19 operam com capacidade SUS acima de 100%. São elas: Norte (100.5%), Serra (103,7%) e Vale (109,7%).
Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini / Arquivo


