| Alice Ros |

 

Estudos realizados no Brasil e nos Estados Unidos apontam que a Covid-19 pode causar uma infecção mais grave do que a registrada nos pulmões.

As pesquisas são assinadas por especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Dor, publicadas na segunda-feira (14). A Universidade de Yale também divulgou um estudo semelhante na semana passada, com conclusões semelhantes às do Brasil.

Os primeiros casos de infecção cerebral por Covid-19 foram registrados nos Estados Unidos. Pacientes mais jovens e com Acidente Vascular Cerebral (AVC) não apresentaram sintomas respiratórios, característicos da doença. Quando isso acontece, as chances de tratamento são mais limitadas.

A chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Martins, explica que é difícil identificar a doença em pessoas assintomáticas. Em 50% dos pacientes que tiveram AVC, o primeiro sintoma da doença foi cerebral. “Temos poucas horas para salvar o cérebro. A Covid-19 pode afetar o cérebro sem afetar o quadro respiratório”, disse Martins em entrevista ao Portal RDC (16).

O vírus infecta as células através de uma proteína chamada ACE2. Essa proteína está presente em diversas partes do corpo, especialmente nos pulmões. A Covid-19 atinge o cérebro, por sua vez, pelo bulbo olfatório, pelos olhos e pela corrente sanguínea.

Incidências de AVCs e Trombose Venosa Cerebral estão sendo notificadas desde o início da pandemia. Segundo Martins, as associações que levaram aos estudos clínicos partiram de sintomas específicos. “Os pacientes hospitalizados demoravam muito mais para acordar do que outros pacientes entubados com o mesmo tipo de doença. Então, nós já tínhamos visto isso. Depois, começamos a ver sintomas bem comuns, como dor de cabeça, comprometimento do nervo olfatório, encefalites, hemorragias e síndrome de Guillain-Barré (perda de força por comprometimento de todos os nervos)“, indica.

Não existe nenhum tratamento cientificamente efetivo contra a doença. Com isso, as infecções cerebrais são tratadas de forma separada, assim como as demais enfermidades. O tratamento imediato segue como a solução mais sucedida, reforça a chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Moinhos de Vento.

“Como as pessoas estão com medo de ir ao hospital e pegar a doença, elas ficam em casa. Aí, a gente está vendo AVCs e doenças neurológicas graves chegando muito tarde ao hospital, quando não dá mais tempo de fazer o tratamento. Qualquer sinal neurológico, o paciente tem que ir imediatamente para o hospital”, aponta.

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