Em reunião on-line organizada pelo prefeito Luiz Zaffalon, na tarde desta terça-feira, 16, líderes empresariais e de classe e autoridades avaliaram que outras medidas restritivas o município pode adotar para conter o avanço da doença. Em Gravataí, já são 432 pessoas que morreram vítimas da covid-19. Em princípio, foi descartada a possibilidade de um lockdown, o que implicaria no fechamento de todos os setores. É consenso, no entanto, que deve haver um esforço maior de comunicação no sentido de sensibilizar as pessoas para cuidados preventivos, especialmente evitando as aglomerações.

“Estamos aqui para compartilhar pontos de vista sobre esse momento difícil que vivemos. É complicado decidir tudo sozinho, sobre o que estamos fazendo e para onde estamos indo, e este coletivo pode pensar de forma mais ampla”, explicou o prefeito. Uma das primeiras abordagens feitas por Zaffa foi sobre a vacinação: “Meus amigos, não tem vacina para vender. Nem é falta de dinheiro. O presidente da Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre) e prefeito de Nova Santa Rita, Rodrigo Battistella, esteve no Butantã, em São Paulo. Só a partir de setembro, ele ouviu. Se tiver, vamos comprar. Vacina é sim uma questão que resolve, mas de onde vamos tirar?”.

O relato feito pelo diretor técnico do Hospital Dom João Becker, Fernando Issa, evidenciou ainda mais a necessidade de ações para conscientização da população. “O hospital de campanha, projetado para dez leitos, chegou a ter 60 pacientes. Seria somente para casos não graves, mas teve de atender esses também”, disse. Segundo Issa, que ressaltou e elogiou a forma coordenada de trabalho com a Secretaria de Saúde do Município, o Becker passou a fazer uma “gestão melhor dos acessos”. Isso foi possível porque as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também passaram a acolher doentes, além da rede de atenção básica, que também acolhe casos mais leves. “Mantendo essa estratégia, vamos conseguir fazer um atendimento mais eficiente, diminuindo um pouco a pressão”, observou o diretor.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Régis Fonseca, se não fosse a Santa Casa, Gravataí estaria em condições muito piores. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. São R$ 4 milhões de investimento, a mais por mês, destinados à ampliação da estrutura para atendimento covid”, afirmou Régis. O número de leitos aumentou de 32 para 150.

A presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Gravataí (Acigra), Ana Cristina Pastro Pereira, se mostrou solidária à situação pela qual o município passa e disse que a entidade seria favorável a uma paralisação completa das atividades econômicas e sociais, mas somente durante o fim de semana, retornando na segunda-feira. “A pandemia está matando, mas a falta de trabalho também. As pessoas não têm o que comer, e os números são assustadores. Entendemos que não é no trabalho que o contágio está acontecendo”, afirmou.

O mesmo posicionamento foi compartilhado com o presidente do Sindilojas, José Rosa. “Capão da Canoas fez um lockdown até em mercados e farmácias no fim de semana. Na sexta-feira, deu uma superlotação. Deu aglomeração. Foi uma experiência que, nesse formato, não deu certo”, comentou. Ao final do encontro, o prefeito Zaffa estava convencido de que a cidade não entrará em lockdown. “Esse tipo de ação precisa ser muito bem articulada com as demais prefeituras da região”, explicou o prefeito.

CONSCIENTIZAÇÃO – A principal ideia para uma ação de comunicação partiu da juíza Valéria Wilhelm, da 1ª Vara Criminal e diretora do Fórum de Gravataí. Ela sugeriu uma estratégia voltada às crianças, como forma de sensibilizar toda a família. “Minha proposta é uma campanha forte junto à população, ‘Gravataí unida pela vida’, em especial junto às crianças. Não temos solução, mas temos previsão de que esse vírus vai continuar”, ponderou a juíza. Ela mesma apresentou o esboço de uma letra para a composição de um jingle.

Também estiveram presentes à reunião: o vice-prefeito Levi Melo; Samanta Soares, procuradora geral do município; Mari Leia Bastiani, chefe de gabinete; coronel Flávio Lopes, secretário municipal de Assuntos de Segurança Pública; Luiz Fernando Aquino, secretário adjunto de Governança e Comunicação Social; Alan Vieira, presidente da Câmara de Vereadores de Gravataí; Janine Rosi, promotora de justiça da Promotoria de Justiça Cível de Gravataí; major Luis Neves, comandante do 17º BPM de Gravataí; e Deivti Dimitrios, presidente da OAB Gravataí.

Texto: Luiz Fernando Aquino
Foto: Douglas Glier Schütz
Edição: Tiemi Sá
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