“Estamos aqui para compartilhar pontos de vista sobre esse momento difícil que vivemos. É complicado decidir tudo sozinho, sobre o que estamos fazendo e para onde estamos indo, e este coletivo pode pensar de forma mais ampla”, explicou o prefeito. Uma das primeiras abordagens feitas por Zaffa foi sobre a vacinação: “Meus amigos, não tem vacina para vender. Nem é falta de dinheiro. O presidente da Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre) e prefeito de Nova Santa Rita, Rodrigo Battistella, esteve no Butantã, em São Paulo. Só a partir de setembro, ele ouviu. Se tiver, vamos comprar. Vacina é sim uma questão que resolve, mas de onde vamos tirar?”.
O relato feito pelo diretor técnico do Hospital Dom João Becker, Fernando Issa, evidenciou ainda mais a necessidade de ações para conscientização da população. “O hospital de campanha, projetado para dez leitos, chegou a ter 60 pacientes. Seria somente para casos não graves, mas teve de atender esses também”, disse. Segundo Issa, que ressaltou e elogiou a forma coordenada de trabalho com a Secretaria de Saúde do Município, o Becker passou a fazer uma “gestão melhor dos acessos”. Isso foi possível porque as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também passaram a acolher doentes, além da rede de atenção básica, que também acolhe casos mais leves. “Mantendo essa estratégia, vamos conseguir fazer um atendimento mais eficiente, diminuindo um pouco a pressão”, observou o diretor.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Régis Fonseca, se não fosse a Santa Casa, Gravataí estaria em condições muito piores. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. São R$ 4 milhões de investimento, a mais por mês, destinados à ampliação da estrutura para atendimento covid”, afirmou Régis. O número de leitos aumentou de 32 para 150.
A presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Gravataí (Acigra), Ana Cristina Pastro Pereira, se mostrou solidária à situação pela qual o município passa e disse que a entidade seria favorável a uma paralisação completa das atividades econômicas e sociais, mas somente durante o fim de semana, retornando na segunda-feira. “A pandemia está matando, mas a falta de trabalho também. As pessoas não têm o que comer, e os números são assustadores. Entendemos que não é no trabalho que o contágio está acontecendo”, afirmou.
O mesmo posicionamento foi compartilhado com o presidente do Sindilojas, José Rosa. “Capão da Canoas fez um lockdown até em mercados e farmácias no fim de semana. Na sexta-feira, deu uma superlotação. Deu aglomeração. Foi uma experiência que, nesse formato, não deu certo”, comentou. Ao final do encontro, o prefeito Zaffa estava convencido de que a cidade não entrará em lockdown. “Esse tipo de ação precisa ser muito bem articulada com as demais prefeituras da região”, explicou o prefeito.
CONSCIENTIZAÇÃO –
A principal ideia para uma ação de comunicação partiu da juíza Valéria Wilhelm, da 1ª Vara Criminal e diretora do Fórum de Gravataí. Ela sugeriu uma estratégia voltada às crianças, como forma de sensibilizar toda a família. “Minha proposta é uma campanha forte junto à população, ‘Gravataí unida pela vida’, em especial junto às crianças. Não temos solução, mas temos previsão de que esse vírus vai continuar”, ponderou a juíza. Ela mesma apresentou o esboço de uma letra para a composição de um jingle.Também estiveram presentes à reunião: o vice-prefeito Levi Melo; Samanta Soares, procuradora geral do município; Mari Leia Bastiani, chefe de gabinete; coronel Flávio Lopes, secretário municipal de Assuntos de Segurança Pública; Luiz Fernando Aquino, secretário adjunto de Governança e Comunicação Social; Alan Vieira, presidente da Câmara de Vereadores de Gravataí; Janine Rosi, promotora de justiça da Promotoria de Justiça Cível de Gravataí; major Luis Neves, comandante do 17º BPM de Gravataí; e Deivti Dimitrios, presidente da OAB Gravataí.


