| Alice Ros |

Completamente assintomático. Assim o médico intensivista Jorge Hoher, 68 anos, coordenador central da UTI da Santa Casa, define seu estado de saúde após receber a primeira dose da vacina CoronaVac, aplicada em ato simbólico no saguão do Anfiteatro Carlos César de Albuquerque do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), na segunda-feira (18).

Em entrevista ao Portal RDC (19), Hoher disse que ficou muito emocionado durante a cerimônia e que acredita que as primeiras aplicações do imunizante demonstram esperança para o Rio Grande do Sul.

“Estou me sentindo muito bem, completamente assintomático, nem dor no braço. Confesso que no momento da vacinação, a emoção fez com que nem a picada da agulha eu sentisse. Estou me sentindo abençoado, porque essa vacina foi uma benção. Ela vai mudar o ciclo do coronavírus no nosso meio”, disse.  “A gente não tem medicação específica e essa é a única chance de a imunização ser deslumbrada.  A partir de agora, é um momento muito sério e decisivo. A expectativa é de um 2021 muito melhor, sem aquela tristeza que foi 2020”, destacou o médico intensivista.

Além de Hoher, mais quatro pessoas foram escolhidas para a abertura da vacinação. São elas: Eloina Gonçalves Born, de 99 anos, moradora do Residencial Geriátrico Donna Care; Carla Ribeiro, 32 anos, da etnia kaingang e residente da Aldeia Fag Nhin, na Lomba do Pinheiro; Joelma Kazimirski, 48 anos, auxiliar de higienização do Grupo Hospitalar Conceição e Aline Marques da Silva, 40 anos, técnica de Enfermagem CTI Covid do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

“Fiquei muito contente e me senti muito honrado. Não imaginei que eu fosse merecer uma honra tão grande. Sou uma pessoa do grupo de risco. Tenho mais de 60 anos e sou hipertenso, então tem todos esses eventos que me desfavorecem caso eu tenha Covid-19”, disse.   

No início da pandemia, a Santa Casa abriu mais de 80 leitos de tratamento intensivo para atender os pacientes de Covid-19. Novos respiradores também foram incluídos no atendimento. Segundo o médico, o período foi o mais delicado para os profissionais da saúde.

“No início, não sabia muito o que fazer. Ninguém tinha experiência para isso. Faltava recursos humanos para as terapias intensivas. Do ponto de vista material, nós nunca tivemos dificuldade nenhuma”, explicou Hoher.

Sobre a confiabilidade da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, Hoher, que tem mais de 40 anos de experiência como médico, defendeu que todas as vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são seguras para a população, ressaltando que a agência é muito criteriosa na seleção e aprovação dos imunizantes.

“Todas as alternativas foram liberadas pela Anvisa. Eu conheço o trabalho da Anvisa e eles são muito criteriosos. Para todas as vacinas que a Anvisa liberar, pode-se ter segurança, porque elas foram estudadas e têm critérios”, destacou.

A aplicação da CoronaVac implica em duas doses, sendo a segunda entre 14 e 28 dias após a aplicação da primeira.

O médico também ressaltou que as medidas de distanciamento controlado devem ser mantidas, mesmo com a chegada das vacinas. “Se tem a vacina, não quer dizer que estejamos imunes. Se eu recebi a minha, não mudou nada na minha vida sobre o uso de máscaras. A segunda dose da vacina vai dar um reforço, e dentro de um mês eu poderei me considerar, talvez, imunizado. As pessoas dizem que com vacina não tem mais perigo. Tem, sim. É preciso seguir cuidando”, assegurou Hoher.

Ao todo, o Estado recebeu 341,8 mil doses da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac. Segundo o governo, todas as 18 Coordenadorias Regionais de Saúde devem receber o imunizante e iniciar a aplicação nesta terça-feira (19) para grupos prioritários.

A campanha de vacinação estadual seguirá as diretrizes do Plano Nacional de Imunizações. Prioritariamente, receberão as primeiras doses profissionais da saúde da linha de frente contra Covid-19, idosos que vivem em instituições de longa permanência e indígenas.

Confira a logística de distribuição das doses recebidas:

Porto Alegre: 51.600

1ª CRS (sede Porto Alegre – 65 municípios): 26.000

2ª CRS (sede Frederico Westphalen – 26 municípios): 4.360

3ª CRS (sede Pelotas – 22 municípios): 12.400

4ª CRS (sede Santa Maria – 32 municípios): 8.400

5ª CRS (sede Caxias do Sul – 49 municípios): 14.000

6ª CRS (sede Passo Fundo – 62 municípios): 10.200

7ª CRS (sede Bagé – 6 municípios): 1.760

8ª CRS (sede Cachoeira do Sul – 12 municípios): 2.720

9ª CRS (sede Cruz Alta – 13 municípios): 1.920

10ª CRS (sede Alegrete – 11 municípios): 4.000

11ª CRS (sede Erechim – 33 municípios): 5.360

12ª CRS (sede Santo Ângelo – 24 municípios): 3.560

13ª CRS (sede Santa Cruz do Sul – 13 municípios): 4.400

14ª CRS (sede Santa Rosa – 22 municípios): 2.360

15ª CRS (sede Palmeira das Missões – 26 municípios): 6.040

16ª CRS (sede Lajeado – 37 municípios): 4.240

17ª CRS (sede Ijuí – 20 municípios): 3.200

18ª CRS (sede Osório – 23 municípios): 4.280

TOTAL: 170.800 doses

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