O crescimento de internações por Covid-19 em leitos clínicos e em unidades de tratamento intensivo (UTIs) tem implicado em uma série de restrições em todo o Brasil para conter o vírus, como o fechamento de atividades consideradas não essenciais e limitação de horário para circulação.

No Rio Grande do Sul, o Estado permanece classificado em bandeira preta (risco de contágio altíssimo) e com atividades paralisadas entre 20h e 05h, medida válida até 31 de março. Nesta terça-feira (16), a taxa de internação em leitos de UTI em geral é de 109,6%, com 3.467 pacientes internados em 3.163 leitos.

Em entrevista ao Portal RDC, a médica oftalmologista Rosane Ferreira atribuiu o alto número de casos da doença a falsos resultados negativos em testes rápidos, realizados por coleta de sangue. Segundo Ferreira, cerca de 30% das amostras coletadas indicam resultados incorretos.

“O paciente já está com os sintomas, está com o nariz entupido. Aí ele acha que é rinite, faz um teste rápido e dá negativo. Aí ele volta para trabalhar, volta para o convívio e acaba espalhando isso”, explicou. “É importante lembrar que o teste dando negativo não quer dizer que você não tenha a doença. Quer dizer que o teste não encontrou o vírus naquele momento”. 

Durante a entrevista, a médica também comentou sobre a possibilidade de tratamentos específicos para a Covid-19. Na última sexta-feira (12), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento antiviral Redesivir, que estava em fase de estudos desde junho de 2020.

De acordo com pesquisadores, o medicamento demonstrou eficácia ao reduzir a chance de pacientes que estavam recebendo oxigênio em baixo fluxo evoluírem para estágios mais graves, onde necessitam de ventilação mecânica. Para pacientes que precisavam de pouco oxigênio, houve queda significativa na mortalidade, de 9,9% para 2,6%.

A Gilead Brasil, responsável pela fabricação do remédio no país, também apontou que o Rendesivir diminuiu a necessidade de suporte de oxigênio nos dias de hospitalização. Conforme a Anvisa, “esses dados foram determinantes para que a agência autorizasse o uso do Rendesivir, pensando em desafogar o sistema de saúde.”

O uso do medicamento, no entanto, está restrito aos hospitais. A Anvisa assegura que o medicamento não será comercializado em farmácias.

Outros medicamentos, como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e nitazoxanida, também são indicados por alguns médicos como “tratamento precoce”, embora não haja comprovação científica no combate ao vírus. Para Ferreira, a recomendação “fica a critério do médico e do paciente, se ele quer ou não iniciar o tratamento precoce”.

“Até o momento, não tem evidência científica nível 1 A”, disse a médica, que também ressaltou a orientação de que os pacientes procurem atendimento médico antes do agravamento dos sintomas da Covid-19.

Confira a entrevista completa:

Compartilhe essa notícia: