
Foto: Rafael Capaverde
Há alguns anos, quando iniciou a febre das caixas de som bluetooth, as músicas invadiam os ônibus, transformando-os em verdadeiras raves. Os passageiros, principalmente os mais jovens, ouviam seus diversos gêneros musicais em alto volume, causando desconforto para todos. Diante disso, a prefeitura, a EPTC e as empresas de ônibus lançaram campanhas de conscientização, incentivando o uso de fones de ouvido, o que funcionou bem naquela época.
No entanto, em pleno 2023, o que dizer quando o DJ do ônibus é o próprio motorista? Para quem recorrer em busca de auxílio? Antes, era o motorista quem ajudava nessas situações incômodas. Infelizmente, isso acontece diariamente na linha 441 Antônio de Carvalho da empresa ViaLeste (ônibus 2037), em que o motorista desrespeita a todos, ouvindo sua playlist preferida em alto volume. Vale ressaltar que essa playlist é composta, em sua maioria, por músicas gaúchas e de bailão, que podem até ser boas, mas não devem ser apreciadas por todos às 7h da manhã, quando os passageiros estão a caminho do trabalho, escola, médico, entre outros compromissos.
Apesar das diversas reclamações dos usuários, o motorista ignora o problema e nada é feito. O cobrador é frequentemente questionado sobre a situação, buscando uma solução ou uma atitude a ser tomada. No entanto, o que ele pode fazer quando a pessoa que está causando o desconforto é o próprio colega de trabalho, o motorista? Muitas vezes, a única resposta que o cobrador pode dar é um encolher de ombros e um pedido de desculpas por não poder fazer nada. Infelizmente, presenciei essa situação constante durante a viagem.
Agora, cabe perguntar o que os órgãos responsáveis por mediar e solucionar esses problemas estão fazendo. Por que não tomam nenhuma atitude? Já foram feitos diversos acionamentos ao 156 da prefeitura, mas nunca houve retorno. Onde estão a Prefeitura e a EPTC? Por que a fiscalização não acontece? E a empresa ViaLeste, que deveria cuidar e zelar pelas linhas, que já são escassas e com ônibus sucateados e velhos, parece estar negligenciando seus deveres. Além do transporte ruim, ainda temos que lidar com o constrangimento e o desconforto causados aos passageiros.
*Por Rafael Capaverde


