| Alice Ros |
Pesquisadores do projeto SIG Litoral Norte, da UFRGS Litoral, alertam para uma rápida expansão dos casos de Covid-19 na região.
Segundo dados analisados pelo grupo, a primeira semana do mês de março já ultrapassou a metade dos casos diagnosticados em fevereiro de 2021. Até essa segunda-feira (08), 3.887 pacientes tiveram testes positivos para Covid-19. Em fevereiro, segundo mês com maior alta de casos desde novembro de 2020, os casos chegaram a 6.620.
Os últimos cinco meses têm registrado a maior alta de infecções pelo vírus no Litoral Norte. As maiores taxas foram notificadas em dezembro (7.005), fevereiro (6.620), novembro (5.226), janeiro (4.008) e março (3.887).
Em entrevista ao programa Portal RDC (09), o pesquisador Vitor André Duarte, integrante da iniciativa, atribui o crescimento dos casos ao aumento de turistas no litoral e ao relaxamento das medidas de distanciamento controlado.
“A gente já vinha observando que nos finais de semana o litoral estava tendo uma movimentação muito acima do normal. As pessoas já estavam utilizando o litoral como refúgio, digamos assim. As pessoas vieram praticamente todos os finais de semana do ano passado. Aí, quando chegou a temporada, de fato, intensificou muito mais”, explicou.
Duarte acredita, também, que a falta de restrições mais severas pelos órgãos públicos refletiu no descontrole das aglomerações e no agravamento do atual cenário.
“Também tem uma certa responsabilidade dos órgãos públicos e das regiões, que no início da temporada estavam preocupados com as restrições, o quanto isso ia interferir no fluxo de turistas, nas atividades econômicas funcionando. Isso pesou, no meu ver, bastante”, disse.
“São vários fatores e tem uma questão do comportamento social. A gente percebe que as pessoas ainda têm uma resistência muito grande em relação aos fechamentos e até ao uso de máscara. Junto com isso, a gente tem observado também essa variante brasileira, a variante de Manaus, que acabou se espalhando em todo o Brasil e é mais agressiva, tem maior poder de contaminação”, justificou o pesquisador.
O projeto SIG Litoral Norte ressalta que a região já enfrenta uma terceira onda de Covid-19. A primeira onda foi registrada em setembro de 2020. A segunda aconteceu entre novembro e dezembro do ano passado. Já a terceira teve início na metade do mês passado e continua ganhando força, sendo o maior pico de casos do Litoral Norte.
“A gente está em um terceiro pico e ainda não sabemos até onde ele vai. A gente está com um pico muito alto, nunca antes observado aqui na região”, afirmou.
No ano passado, os feriados também resultaram em altas de contágio.
“A gente já tinha observado que datas comemorativas, como Dia dos Pais e Dia das Mães, geram aglomerações e sempre resultam em um pico de contágio”, destacou.
Os dados analisados pelo grupo são repassados pela 18ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) do Rio Grande do Sul, que abrange os municípios Arroio do Sal, Balneário Pinhal, Capão da Canoa, Capivari do Sul, Caraá, Cidreira, Dom Pedro de Alcântara, Imbé, Itati, Mampituba, Maquiné, Morrinhos do Sul, Mostardas, Osório, Palmares do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Tavares, Terra de Arreia, Torres, Tramandaí, Três Cachoeiras, Três Forquilhas e Xangri-Lá.
Para realizar os estudos, o grupo cruza dados sobre a quantidade de casos confirmados, os óbitos registrados na região e os números de testagem.
“A gente trabalha, basicamente, com os três dados que são fundamentais: quantidade de casos confirmados, óbitos registrados nos hospitais da região e a testagem, A gente faz vários cruzamentos a partir desses dados principais. Quem nos abastece com as informações é a 18ª Coordenadoria Regional de Saúde”, apontou Duarte.
Nesta terça-feira (09), a região Covid de Capão da Canoa (R04 R05) registrou 82 pacientes internados em leitos UTI Adulto, o que representa 100% de ocupação. Destes, 72 pacientes têm confirmação de Covid-19 (87.8%).
Foto: Luís Reis


