
foto; Cristine Rochol / PMPA
O Hospital de Pronto Socorro (HPS) divulgou um aumento significativo de 40% nas doações de órgãos de janeiro a agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2022. Segundo a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante da instituição, foram notificados 14 doadores de órgãos em 2023, com uma média de três órgãos efetivamente implantados por doador, em comparação com os 10 doadores registrados em 2022.
Desde 2002, a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do HPS tem desempenhado um papel fundamental na coordenação das ações relacionadas à doação de órgãos, desde a identificação do potencial doador até o suporte e acompanhamento. A equipe é composta por três médicos, sete enfermeiros, um assistente social e um psicólogo, que trabalham em regime de sobreaviso 24 horas por dia, sete dias por semana.
O coordenador da comissão, o médico Cristiano Franke, enfatiza a importância de comunicar a vontade de ser doador de órgãos para a família. “É um momento delicado, quando a família precisa lidar com a perda de um ente querido, e ter a oportunidade de realizar o último desejo do familiar e ainda ajudar outras pessoas é um ato de extrema solidariedade”, afirma Franke.
Franke também destaca que, em média, é possível utilizar três órgãos por doador, além de tecidos como pele e córneas, que podem beneficiar pacientes que sofreram queimaduras graves e necessitam de enxertos.
Para ser considerado um doador de órgãos no Brasil, a pessoa deve sofrer morte encefálica, cuja confirmação é baseada em exames clínicos rigorosos e no parecer de três médicos.
Setembro Verde é marcado pelo Dia Nacional da Doação de Órgãos, lembrado em 27 de setembro. Em comemoração a essa data, o HPS organizou um seminário sobre o tema voltado para profissionais e estudantes da área da saúde. Além disso, uma mostra fotográfica intitulada “Doando Órgãos, Multiplicando Vidas,” composta por 15 banners que contam a história de doadores, pacientes que receberam órgãos e seus familiares, foi inaugurada. A exposição, de autoria do fotógrafo Marcelo Andrade, já foi exibida em diversos locais da capital gaúcha, como a Assembleia Legislativa, o Aeroporto Internacional Salgado Filho e a Câmara Municipal.
De acordo com informações da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, a principal razão para a não efetivação da doação ainda é a recusa familiar. O médico Cristiano Franke destaca a importância de comunicar aos familiares a intenção de ser um doador de órgãos. Desde 2022, qualquer pessoa pode declarar sua vontade de ser doador de órgãos gratuitamente em cartório, tornando o processo mais simples e acessível.


