
Foto: Celso Bender
A crescente alta nos preços dos combustíveis, fertilizantes e outros insumos para o setor agrícola, ocorrida durante o governo Bolsonaro, tem sido apontada como uma das principais causas da crise no setor leiteiro gaúcho. O impacto dessa conjuntura econômica tem levado a uma perda significativa de competitividade, tornando difícil a competição com as importações do Mercosul. Essa situação foi o foco de uma audiência pública realizada na Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, por iniciativa dos deputados Zé Nunes e Elton Weber (PSB).
Os efeitos adversos dessa situação econômica foram expostos em detalhes durante a reunião híbrida, que contou com a presença de produtores, parlamentares e representantes do setor. O deputado Zé Nunes, do Partido dos Trabalhadores (PT), iniciou a reunião citando dados alarmantes da cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul. Segundo dados da Emater, houve uma queda de 52% no número de produtores de leite no estado entre 2015 e 2022, resultando no abandono da atividade por cerca de 44 mil famílias. Além disso, o rebanho de vacas leiteiras reduziu em 36%, impactando severamente a posição do RS como uma das principais bacias leiteiras do Brasil.
Nunes também atribuiu parte da crise à desmobilização do setor leiteiro, que havia conquistado avanços como o Instituto Gaúcho do Leite, o programa estadual de estímulo à produção (Prodeleite) e um fundo específico para a cadeia produtiva leiteira (Fundoleite). O deputado enfatizou a falta de uma política clara para o setor no estado.
Outro fator que exacerbou a crise foi a decisão do governo anterior, sob a gestão de Sartori, de assinar decretos em 2016 e 2017 que facilitaram a importação de leite do Mercosul. O deputado destacou que essas medidas foram revertidas após forte pressão parlamentar.
O deputado Elton Weber (PSB) também criticou o aumento das importações de produtos lácteos que pressionaram os preços aos produtores. Ele sugeriu um possível fechamento da fronteira com Argentina e Uruguai caso não haja medidas efetivas para beneficiar os agricultores até a Expointer, que acontece entre 26 de agosto e 3 de setembro.
Diversos representantes do setor leiteiro, sindicatos e associações presentes na audiência destacaram a gravidade da crise e defenderam a necessidade de ações regulatórias tanto em nível estadual quanto federal. Muitos apontaram para a importância de subsídios, preços adequados e ações que visem garantir a sustentabilidade do setor.
O encontro resultou em encaminhamentos, incluindo o envio de documentos aos governos estadual e federal, propondo medidas como o fortalecimento das compras públicas de leite pelo Estado e pela Conab, a defesa das cotas de importação até o final de 2023, ampliação do crédito público para empresas que não importem leite, criação de programas de qualificação da atividade leiteira e a revisão de dívidas, entre outras.
Em meio às preocupações com as importações de Uruguai e Argentina, os produtores de leite buscam soluções para enfrentar a crise e recuperar a competitividade do setor, ao mesmo tempo em que clamam por medidas eficazes de apoio governamental. A busca por equilíbrio entre a proteção da produção nacional e as demandas do mercado global coloca um desafio complexo para os legisladores e líderes do setor agrícola.


